Começo hoje uma série de textos relacionado ao Curso de Ética, do profº Clóvis de Barros Filho. O curso é totalmente online e gratuito através de vídeo aulas e com um certificado mediante a conclusão do curso. O curso é ministrado na plataforma Veduca, que possui diversos cursos, incluindo o curso de Ciência Política que eu também recomendo. Deixarei aqui o link para aqueles que se interessarem.
A cada texto trarei minhas observações e interpretações sobre uma parte do curso, com o objetivo de promover uma reflexão e, se possível, discussão acerca do que significa ética.
Na primeira aula, o conceito de ética é discutido sob a ótica do que é ou não ético. E a primeira coisa que percebemos é que a ética é temporal e espacial. A ética de 1926 não é a mesmo de 2016, assim como aquilo que os europeus consideram aceitável é divergente daquilo que, como brasileiros, aceitamos. O fator cultural torna a ética uma ideia relativa. E mesmo dentro de uma cultura, há conceitos individuais de ética. Há pessoas que consideram aceitável a homossexualidade, as religiões de matriz africana e há outras que não. Isso mostra que a ética é um conceito mais pessoal do que coletivo. Apesar de instituirmos uma ética coletiva com o objetivo de preservar as boas relações sociais.
Dois conceitos de ética são apresentados. Para Maquiavel, a ética se traduz no julgamento da consequência do seu ato. Enquanto que, para Kant, o julgamento se dá pela intenção. O que significa que se você fez algo com boa intenção, ou prejudicou alguém sem ter consciência disso, você é inocente. Ao contrário de Maquiavel, para quem de boa intenção o inferno está cheio. Ele também mostra a tentativa do nosso Código Penal em mesclar esses dois conceitos excludentes, que é o julgamento pelo ato e pela intenção. A caracterização do homicídio em culposo e doloso, sem e com a intenção de matar. É um ótimo ponto de reflexão pensar por qual dessas duas óticas nós construímos nossos valores éticos. Nos absolvemos quando prejudicamos alguém com boas intenções? Ou repensamos nossos atos pelas consequências palpáveis e negativas que produzimos?
A ética é o valor que damos às coisas e se forma através da reflexão e discussão constante. Quando isso não ocorre, há cisão na sociedade já que os diversos grupos sociais não se entendem. O que é uma resposta compreensível para o momento tenso em que vivemos política e socialmente.
Há 100 anos não era possível discutir o aborto pela perspectiva da saúde pública, diferentemente de agora. Mas isso ocorre não somente por uma diminuição da influência religiosa, mas a necessidade de controlar a superpopulação. Quando se tem uma concentração de mulheres em áreas pobres com uma média de filhos maior que o casal e com uma renda inadequada, questiona-se a chamada “proteção à vida”. Visto que, caso essas crianças venham a adentrar no tráfico, imediatamente serão vítimas da ideologia de “bandido bom é bandido morto“. O que mostra que o homicídio se mostra eticamente aceitável em determinadas ocasiões. Essa mesma reflexão sobre o aborto se encontra com outro rio, que é a legalização das drogas. Já que superpopulação e escassez de recursos gera violência, aqueles que não se verem aptos a lutar por um sistema de regras, optarão pelo outro. O que resulta em uma ética diferenciada. A ética de um poder alternativo. Que pode vir a se integrar ao sistema vigente da sociedade se for legalizado ou não.

Essas discussões são importantes para o desenvolvimento da sociedade e para evitar a fragmentação da mesma. É ético legalizar uma substância que produz malefícios? É ético proibir uma substância que não prejudica terceiros além daqueles que a usam? É ético deixar que nossos jovens sejam induzidos ao uso pela permissividade da substância? É ético proibir ao invés de educar e tirar deles o direito de escolha? É ético manter um mercado na criminalidade porque não concordamos com ele? Bem… é ético discutir se é ético.
Espero que tenham gostado. Comentem, deixem suas opiniões e sugestões. Até a próxima.