Koe no Katachi (聲の形, A Voz do Silêncio) é um filme japonês animado — baseado no mangá de mesmo nome — dirigido por Yamada Naoko e escrito por Yoshida Reiko. O filme narra a história de Ishida Shoya, um garoto agitado e que passa dos limites quando uma nova aluna é transferida. Nishimiya Shouko possui uma característica particular que desconcerta a sala: sua surdez. Sua condição exige adaptação por parte da turma no dia a dia e como ela não consegue pronunciar as palavras direito, a turma acaba perdendo um concurso do coral. A partir daí, Ishida passa a agredir Nishimiya de todas as maneiras possíveis. Retira seus aparelhos auditivos à força, escreve coisas ofensivas na sua mesa e no quadro. Mas, apesar de tudo isso, Nishimiya vive tentando se integrar à escola. Como era de se esperar, o caso acaba sendo percebido e Ishida é descoberto. Mas o fato é que Ishida não foi o único a praticar o bullying. O resto da turma sempre o fez veladamente ou assistia sem se incomodar. Ishida os acusa, mas eles negam. Ele é responsabilizado isoladamente, seus amigos o abandonam e ele se torna um pária na turma agora que Nishimiya não faz mais parte dela. Ishida não sabe, mas ele foi um bode expiatório.
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A partir daqui o filme muda de tom, talvez por Ishida não ser mais o agressor. E as emoções que associamos ao personagem principal vão se transformando aos poucos. Afinal, o bode expiatório serve para expiar os sentimentos sombrios da turma. Diferente do resto da turma, que deposita sua responsabilidade no protagonista, o protagonista só tem a si mesmo. Nishimiya é uma personagem doce, mas eu prefiro não falar muito dela porque suas aparições são sempre silenciosas. E isso dá a ela uma característica muito profunda, que exige atenção aos seus gestos e expressões. Não acho que palavras sejam muito úteis para descrevê-la. Aliás, por ter a voz pouco desenvolvida, ela se comunica através da língua de sinais japonesa (日本手話, nihon shuwa). Esse é o principal símbolo de devoção no processo de Ishida. Ele aprenderá a língua de sinais para poder se comunicar com Nishimiya.
É somente quando o protagonista assume a responsabilidade de redimir-se pelo passado, que o futuro para de lhe ser negado. Vemos no início do filme como a culpa, o remorso e o isolamento o devoravam por dentro. A primeira amizade de Ishida depois de muito tempo acontece porque ele protege um colega de classe de ter sua bicicleta roubada. Ishida precisa passar pelo mesmo que fez com Nishimiya para compreender a dor da rejeição. E próximo do fim, perceberemos que os dois não são tão diferentes na sua forma de lidar com o sofrimento.

Koe no Katachi possui um mérito a seu favor. Ele não abranda a motivação do bullying com o método circular de violência em casa gerando violência na escola. A obra é visceral e emocionalmente direta. Ishida e o resto da sala passam a hostilizar, direta ou indiretamente, Nishimiya por baixo desenvolvimento emocional, falta de empatia, ressentimento com o concurso do coral, e deixo vocês pensando em outras possibilidades. Isso faz da história de Ishida, uma jornada através da própria culpa e redenção. A Voz do Silêncio está disponível na Netflix.
Por favor, Deus…
Dê-me só um pouco mais de força.
Eu não irei mais fugir dos desafios da vida.
A partir de amanhã, eu irei olhar o rosto de todos.
Eu irei escutar a voz de todos a partir de amanhã.
Eu farei tudo corretamente a partir de amanhã.